quarta-feira, 25 de julho de 2007

em paz ciente


Calar por quê?

Se é dali que vem meu riso

e não nasci para chorar.


Pensar em quê?

Se é ali que está meu sonho

e nem desejo acordar.


Esperar para quê?

Se é lá que eu me perco

do que não quer me largar.


Fazer o quê?

Se é destino ou desatino

como saber sem tentar?



Liliane Leroux

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Para Carol e todas nós


Quem disse que vem do Outro a nossa torre até o céu?

Fazendo de cada encontro tão complicada Babel!

Repita comigo D.Maria, pelo menos 1000 vezes por dia:

o abismo é inescapável, a língua não é comum

logo, só há sonho durável na obra de cada um.

Não faz do Outro complemento, nem pedaço, nem sofrer.

Não faz do Outro projeto, faz dele apenas prazer.


Liliane Leroux


segunda-feira, 16 de julho de 2007

Plongée dans contra-plongé ( Mergulho em contra-plano - inspirada por texto do Xico Sá)

Causar tua “pequena morte”

descendo, lentamente.

Provando cada pedaço do caminho.

Ao chegar: faço-te ritual, eu monja

faço-te belo e sublime, eu artista.

Teu prazer escrevo, dirijo e capturo

te olhando em contra-plano

de onde mergulho.

E assino em ti meu nome com saliva e riso.




Liliane Leroux


segunda-feira, 2 de julho de 2007

"Como é que conjuga?"

Conheceram-se na festa.

Ela, assim que o viu, achou que ele era mais-que-prefeito.

Ele, por um segundo, sonhou viver com ela algum futuro.

Mas ele não era do tipo que se arriscava no infinitivo

e ela ainda convalescia de seus pretéritos, tão imperfeitos

Deixaram pra lá no condicional e deram tchau.



Liliane Leroux