domingo, 24 de junho de 2007

Skrik

Uma saudade enorme do tempo em que morei em Oslo

congelou por alguns minutos

o tempo no qual apenas "a tese" tem morado em mim.

A porta da caixa de fotos, aberta,

dispensa 19 anos e milhares de quilômetros

provando que o tempo é preterível

e subo no trem que leva ao museet.

Eu, essa que vai, reencontro lá no velho grito de Munch

a redenção para os novos silêncios daqui:

eu, esta que fica, suspensa na impossibilidade

entre a mão direita arrastada pelo que chamam “teoria”

e a esquerda agarrada ao que chamo “vida”.



Liliane Leroux


domingo, 17 de junho de 2007

Ouvindo estrelas em céu nublado

Não sei se meu ouvido me odeia

ou se quer ser engraçado.

Ele escuta o que bem quer

e nunca o que foi falado.


Quantas vezes me engana

este ouvido tão sacana:

Se me dizem poesia, ele sai de sintonia

mas dissimula em prosa, a fala tola e vazia.


Com isso me põe, o ouvido, em tamanha enrascada

pois a resposta que dou, é quase sempre a errada.

Mas deixa estar, meu ouvidinho, que entendi o corolário

e agora a tudo que escuto, vou e respondo ao contrário!


Liliane Leroux


sábado, 16 de junho de 2007

Afirmando a tônica

Irritadíssima por estar meio de "molho" desde que pincei a coluna no domingo, na quinta voltei para a dança, na sexta arrisquei uma malhação leve e hoje decidi pedalar. Na academia, descubro que a aula de bike seria uma maratona, em comemoração ao dia dos namorados (sim, riam, cada um comemora como pode...).


Pensei: pedalo o tempo que a coluna agüentar e saio fora.

Resumo: ganhei a maratona!

Prêmio: camiseta e foto no mural

Não, amigos, antes que me julguem mal, de antemão afirmo que não fui movida por nenhum furor competitivo, não. Alias, eu não sou competitiva assim. Vou atrás do que quero, brigo, mas, diante de um objetivo em comum, não disputo com ninguém. Pelo contrário, sou capaz de ceder, magnanimamente, a vez. Então, como explicar tamanha maluquice? Pelas palavras do professor?

- Você é sinistra mesmo - disse rindo ao final, conhecendo meu delicado estado.

Não. Fico com a explicação da competente e divertidíssima fisioterapeuta que tive a sorte de encontrar:

- Você é toda tônica.

Adorei! Quer dizer que eu sou a ênfase!!!

terça-feira, 12 de junho de 2007

Acreditei...


Tentando entender minhas repetições, vasculhei Freud, arrisquei Lacan. Aí, vem Ana Cristina Cesar e me explica, simples assim:




Acreditei que se amasse de novo
esqueceria outros
pelo menos três ou quatro rostos que amei
Num delírio de arquivística
organizei a memória em alfabetos
como quem conta carneiros e amansa
no entanto flanco aberto não esqueço
e amo em ti os outros rostos

Ana C.